“Pedro então disse a Jesus: ‘Eis que nós deixamos tudo e te seguimos’.”
Diante do recuo do jovem e das palavras de Jesus, Pedro diz que ele e os outros discípulos deixaram tudo. Fica no ar a pergunta: “e qual será nossa recompensa?”. Disse Jesus que, já nesta vida, terão muito mais do que deixaram, e ainda a vida eterna. Sabemos que não promete vantagens terrenas e materiais. Promete a paz e a alegria de quem aceita os convites do Evangelho.
Oração
Senhor, sei que sois muito mais generoso do que eu. Confio em vós e peço que me ajudeis a seguir sempre vossos convites. Se me dais apoio, podeis exigir de mim tudo que quiserdes; por isso fico tranquilo, à espera, sem me preocupar demais com o futuro. Perdoai minhas faltas do passado, quando deixei de acolher vossas propostas. Não leveis em conta minha fraqueza. Amém.
«Deixamos tudo para Te seguir»
Não somos chamados somente uma vez, mas muitas vezes; ao longo de toda a nossa vida Cristo chama-nos. Chamou-nos em primeiro lugar pelo baptismo, mas também mais tarde; quer obedeçamos ou não à Sua voz, Ela continua a chamar-nos na Sua misericórdia. Se faltamos às nossas promessas do baptismo, Ele chama-nos para nos arrependermos. Se nos esforçamos por responder à nossa vocação, Ele continua a chamar-nos, de graça em graça, de santidade em santidade, tanto tempo quanto durar a nossa vida.
Abraão foi chamado a deixar a sua casa e a sua terra (Gn 12, 1), Pedro as suas redes (Mt 4, 18), Mateus o seu emprego (Mt 9, 9), Eliseu a sua quinta (1Rs 19, 19), Natanael o seu repouso (Jo 1, 47). Todos nós somos incessantemente chamados, de uma coisa para outra, a ir cada vez mais longe, não tendo local de repouso, mas subindo em direcção ao nosso repouso eterno, e não obedecendo a um chamamento interior senão para estarmos prontos para ouvir outro.
Cristo chama-nos incessantemente para nos justificar sem cessar; sem cessar, cada vez mais, Ele quer santificar-nos e glorificar-nos. Devemos compreendê-lo mas demoramos a dar-nos conta desta grande verdade, a de que de algum modo Cristo caminha entre nós e com a Sua mão, o Seu olhar, a Sua voz, nos faz sinal para O seguirmos. Não apreendemos que o Seu chamamento é uma coisa que tem lugar neste preciso momento. Pensamos que ocorreu no tempo dos apóstolos; mas não cremos nisso, não o esperamos verdadeiramente para nós próprios.



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