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terça-feira, 25 de maio de 2010

Marcos 10,28-31

“Pedro então disse a Jesus: ‘Eis que nós deixamos tudo e te seguimos’.”

Diante do recuo do jovem e das palavras de Jesus, Pedro diz que ele e os outros discípulos deixaram tudo. Fica no ar a pergunta: “e qual será nossa recompensa?”. Disse Jesus que, já nesta vida, terão muito mais do que deixaram, e ainda a vida eterna. Sabemos que não promete vantagens terrenas e materiais. Promete a paz e a alegria de quem aceita os convites do Evangelho.

Oração

Senhor, sei que sois muito mais generoso do que eu. Confio em vós e peço que me ajudeis a seguir sempre vossos convites. Se me dais apoio, podeis exigir de mim tudo que quiserdes; por isso fico tranquilo, à espera, sem me preocupar demais com o futuro. Perdoai minhas faltas do passado, quando deixei de acolher vossas propostas. Não leveis em conta minha fraqueza. Amém.


Naquele tempo: 28Começou Pedro a dizer a Jesus: 'Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.' 29Respondeu Jesus: 'Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida - casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições - e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros.'

Comentário ao Evangelho do dia feito por Cardeal John Henry Newman (1801-1890)
Presbítero, Fundador de comunidade religiosa, teólogo
PPS, vol. 8, n° 2 «Divine Calls»

«Deixamos tudo para Te seguir»

Não somos chamados somente uma vez, mas muitas vezes; ao longo de toda a nossa vida Cristo chama-nos. Chamou-nos em primeiro lugar pelo baptismo, mas também mais tarde; quer obedeçamos ou não à Sua voz, Ela continua a chamar-nos na Sua misericórdia. Se faltamos às nossas promessas do baptismo, Ele chama-nos para nos arrependermos. Se nos esforçamos por responder à nossa vocação, Ele continua a chamar-nos, de graça em graça, de santidade em santidade, tanto tempo quanto durar a nossa vida.

Abraão foi chamado a deixar a sua casa e a sua terra (Gn 12, 1), Pedro as suas redes (Mt 4, 18), Mateus o seu emprego (Mt 9, 9), Eliseu a sua quinta (1Rs 19, 19), Natanael o seu repouso (Jo 1, 47). Todos nós somos incessantemente chamados, de uma coisa para outra, a ir cada vez mais longe, não tendo local de repouso, mas subindo em direcção ao nosso repouso eterno, e não obedecendo a um chamamento interior senão para estarmos prontos para ouvir outro.

Cristo chama-nos incessantemente para nos justificar sem cessar; sem cessar, cada vez mais, Ele quer santificar-nos e glorificar-nos. Devemos compreendê-lo mas demoramos a dar-nos conta desta grande verdade, a de que de algum modo Cristo caminha entre nós e com a Sua mão, o Seu olhar, a Sua voz, nos faz sinal para O seguirmos. Não apreendemos que o Seu chamamento é uma coisa que tem lugar neste preciso momento. Pensamos que ocorreu no tempo dos apóstolos; mas não cremos nisso, não o esperamos verdadeiramente para nós próprios.

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