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domingo, 30 de maio de 2010

João 16,12-15

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 12Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu.

Marcos 11,27-33

Naquele tempo: 27Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: 28'Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?' 29Jesus respondeu: 'Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. 30O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me.' 31Eles discutiam entre si: 'Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: 'Por que não acreditastes em João?' 32Devemos então dizer que vinha dos homens?' Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. 33Então eles responderam a Jesus: 'Não sabemos.' E Jesus disse: 'Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas.'

Marcos 11,11-26

Tendo sido aclamado pela multidão, 11Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. 13De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14Então Jesus disse à figueira: 'Que ninguém mais coma de teus frutos.' E os discípulos escutaram o que ele disse. 15Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17E ensinava o povo, dizendo: 'Não está escrito: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos'? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões.' 18Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. 20Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21Pedro lembrou-se e disse a Jesus: 'Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou.' 22Jesus lhes disse: 'Tende fé em Deus. 23Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: 'Levanta-te e atira-te no mar', e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. 24Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados.'

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Marcos 10,46-52

Naquele tempo: Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: 'Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!' Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: 'Filho de Davi, tem piedade de mim!' Então Jesus parou e disse: 'Chamai-o'. Eles o chamaram e disseram: 'Coragem, levanta-te, Jesus te chama!' O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: 'O que queres que eu te faça?' O cego respondeu: 'Mestre, que eu veja!' Jesus disse: 'Vai, a tua fé te curou'. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Gregório Magno (c. 540-604), Papa e Doutor da Igreja
Homilias sobre os Evangelhos, n°2 (a partir da trad. Tissot, Les Pères nous parlent, 1954, p. 190)

«Filho de David, tem misericórdia de mim»

Com razão a Escritura nos apresenta este cego sentado à beira do caminho e pedindo esmola, porque a Verdade diz acerca de Si mesma: «Eu sou o caminho» (Jo 14, 6). Assim, todo aquele que ignora a claridade da luz eterna é cego.

Se já cremos no Redentor, estamos sentados à beira do caminho. Se já cremos, mas descuramos pedir que nos seja dada a luz eterna e descuramos a oração, podemos estar sentados à beira do caminho, mas não pedimos esmola. Mas se cremos, se conhecemos a cegueira do nosso coração e oramos a fim de recebermos a luz da verdade, então somos efectivamente este cego sentado à beira do caminho e que pede esmola.

Assim, aquele que reconhece as trevas da sua cegueira e sente a privação da luz eterna, grite do fundo do seu coração, grite com toda a sua alma: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!»

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Marcos 10,32-45

Naquele tempo: 32Os discípulos estavam a caminho subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: 33'Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará.' 35Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: 'Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir.' 36Ele perguntou: 'O que quereis que eu vos faça?' 37Eles responderam: 'Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!' 38Jesus então lhes disse: 'Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?' 39Eles responderam: 'Podemos.' E ele lhes disse: 'Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. 40Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado'. 41Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. 42Jesus os chamou e disse: 'Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. 43Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; 44e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. 45Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.'

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)
Bispo e Doutor da Igreja - (a partir da trad. de Oeuvres, t. 14)

«Dar a própria vida em resgate por todos»

Um Deus que serve, que varre a casa, que se entrega a trabalhos penosos - deveria bastar um destes pensamentos para nos encher de amor! Quando o Salvador começou a pregar o Seu Evangelho tornou-Se «o servo de todos», afirmando de Si mesmo que «não veio para ser servido, mas para servir». Foi como se tivesse dito que queria ser servo de todos os homens. E, no final da Sua vida, conforme dizia São Bernardo, «não contente com o facto de ter tomado a condição de servo para Se colocar ao serviço dos homens, quis ainda tomar a aparência de servo indigno para ser maltratado e suportar o castigo que devia cair sobre nós, em consequência dos nossos pecados».

Eis que o Senhor, servo obediente de todos, Se submete à sentença de Pilatos, injusta como é, e Se entrega aos Seus algozes. [...] Assim, tanto nos amou Deus que, por amor de nós, quis obedecer como escravo até morrer e morrer de uma morte dolorosa e infame, o suplício da cruz (Fl 2, 8).

Ora, em tudo isso Ele obedecia, não como Deus, mas como homem, como escravo de que assumira a condição. Tal santo entregou-se como escravo para resgatar um pobre e atraiu a admiração do mundo devido a esse acto heróico de caridade. Mas que caridade é essa, comparada com a do Redentor? Sendo Deus e querendo resgatar-nos da escravidão do Diabo e da morte que nos era devida, tornou-Se Ele mesmo escravo e deixou-Se amarrar e pregar na cruz. «Para que o servo se torne senhor, dizia Santo Agostinho, Deus quis fazer-Se servo».

terça-feira, 25 de maio de 2010

Marcos 10,28-31

“Pedro então disse a Jesus: ‘Eis que nós deixamos tudo e te seguimos’.”

Diante do recuo do jovem e das palavras de Jesus, Pedro diz que ele e os outros discípulos deixaram tudo. Fica no ar a pergunta: “e qual será nossa recompensa?”. Disse Jesus que, já nesta vida, terão muito mais do que deixaram, e ainda a vida eterna. Sabemos que não promete vantagens terrenas e materiais. Promete a paz e a alegria de quem aceita os convites do Evangelho.

Oração

Senhor, sei que sois muito mais generoso do que eu. Confio em vós e peço que me ajudeis a seguir sempre vossos convites. Se me dais apoio, podeis exigir de mim tudo que quiserdes; por isso fico tranquilo, à espera, sem me preocupar demais com o futuro. Perdoai minhas faltas do passado, quando deixei de acolher vossas propostas. Não leveis em conta minha fraqueza. Amém.


Naquele tempo: 28Começou Pedro a dizer a Jesus: 'Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.' 29Respondeu Jesus: 'Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida - casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições - e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros.'

Comentário ao Evangelho do dia feito por Cardeal John Henry Newman (1801-1890)
Presbítero, Fundador de comunidade religiosa, teólogo
PPS, vol. 8, n° 2 «Divine Calls»

«Deixamos tudo para Te seguir»

Não somos chamados somente uma vez, mas muitas vezes; ao longo de toda a nossa vida Cristo chama-nos. Chamou-nos em primeiro lugar pelo baptismo, mas também mais tarde; quer obedeçamos ou não à Sua voz, Ela continua a chamar-nos na Sua misericórdia. Se faltamos às nossas promessas do baptismo, Ele chama-nos para nos arrependermos. Se nos esforçamos por responder à nossa vocação, Ele continua a chamar-nos, de graça em graça, de santidade em santidade, tanto tempo quanto durar a nossa vida.

Abraão foi chamado a deixar a sua casa e a sua terra (Gn 12, 1), Pedro as suas redes (Mt 4, 18), Mateus o seu emprego (Mt 9, 9), Eliseu a sua quinta (1Rs 19, 19), Natanael o seu repouso (Jo 1, 47). Todos nós somos incessantemente chamados, de uma coisa para outra, a ir cada vez mais longe, não tendo local de repouso, mas subindo em direcção ao nosso repouso eterno, e não obedecendo a um chamamento interior senão para estarmos prontos para ouvir outro.

Cristo chama-nos incessantemente para nos justificar sem cessar; sem cessar, cada vez mais, Ele quer santificar-nos e glorificar-nos. Devemos compreendê-lo mas demoramos a dar-nos conta desta grande verdade, a de que de algum modo Cristo caminha entre nós e com a Sua mão, o Seu olhar, a Sua voz, nos faz sinal para O seguirmos. Não apreendemos que o Seu chamamento é uma coisa que tem lugar neste preciso momento. Pensamos que ocorreu no tempo dos apóstolos; mas não cremos nisso, não o esperamos verdadeiramente para nós próprios.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Marcos 10,17-27

“Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”

O jovem estava ansioso por falar com Jesus, veio apressado. Primeiro lhe falou o Mestre da proposta geral, feita a todos. Nenhuma dificuldade, pois já era assim que vivia. Depois lhe apresentou um convite pessoal: o abandono de tudo para o seguir. O rapaz vacilou e não teve coragem de aceitar. Abatido e triste foi embora. Parece que, como nós, queria e não queria comprometer-se com Cristo.

Naquele tempo: Quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele, e perguntou: 'Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?' Jesus disse: 'Por que me chamas de bom?' Só Deus é bom, e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!' Ele respondeu: 'Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.' Jesus olhou para ele com amor, e disse: 'Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!' Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!' Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: 'Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!' Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: 'Então, quem pode ser salvo?' Jesus olhou para eles e disse: 'Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível.'

Oração

Senhor, agradeço por vos conhecer, agradeço porque me chamastes para vos seguir. Não sei o que pretendeis de mim no futuro, por que caminhos me havereis de conduzir. Sei que nem importa tanto o que fazemos, mas sim com que amor o fazemos. Dai-me a coragem e a generosidade para estar sempre a vossa disposição, pronto a vos seguir do jeito que bem vos agradar. Amém.

domingo, 23 de maio de 2010

João 20,19-23

“Jesus disse: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio’. E soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo’.”

A palavra espírito é tradução de palavras antigas que significavam sopro, respiração, princípio vital. A narrativa bíblica da criação diz que Deus soprou nas narinas do homem um sopro de vida. Soprando sobre os discípulos, simbolicamente Jesus infundia neles o Espírito Santo, que deveria ser sua respiração, seu princípio de vida sobrenatural. Também sobre nós Cristo envia o Espírito. Participamos da vida divina porque o Pai, o Filho e o Espírito Santo nos unem a si, habitam em nós, e passam a ser para nós o princípio vital dessa nova existência. Esse é o maior dom que Deus nos poderia fazer, a maior riqueza, a maior felicidade que nos poderia proporcionar. Se não temos em nós esse sopro de vida, de nada vale tudo quanto tivermos ou fizermos.


Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 'A paz esteja convosco'. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio'. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'.

Oração

Senhor meu Deus, Trindade Santa, Pai, Filho e Espírito Santo, creio em vosso amor que me criou e me fez participante de vossa própria vida divina, sem nenhum merecimento de minha parte. Agradeço tanta bondade e bendigo tanta misericórdia. Eu vos louvo porque quisestes fazer-me tomar parte em vossa alegria e em vossa felicidade. Confio em vós e espero que sempre me havereis de guardar em vossa amizade, livrandome de tudo que possa separar-me de vós. Quero amar-vos acima de tudo e de todos, eu vos escolho como sentido e finalidade de minha vida. Iluminai-me em todas as decisões, esclarecei-me nas dúvidas, dai-me um coração dócil para em tudo seguir vossas inspirações. Dai-me a firmeza e a ternura necessárias para ajudar meus irmãos todos. Amém.

sábado, 22 de maio de 2010

João 21,20-25

A Pedro, que perguntava sobre o outro discípulo, “Jesus respondeu: ‘Se quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa isso? Tu, segue-me!’.”


Jesus anunciara a Pedro como haveria de morrer por ele. Mas Pedro queria saber o que haveria de acontecer com o outro discípulo. Jesus recusou-se a responder. O importante era apenas que Pedro o seguisse, o resto não era de sua conta. Imagino que muitas vezes tenho merecido a mesma resposta que Pedro a minhas curiosidades inúteis: “que te importa isso? tu, segue-me!”.


Naquele tempo: Pedro virou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que se reclinara sobre o peito de Jesus durante a ceia e lhe perguntara: 'Senhor, quem é que te vai entregar?' Quando Pedro viu aquele discípulo, perguntou a Jesus: 'Senhor, o que vai ser deste?' Jesus respondeu: 'Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, o que te importa isso? Tu, segue-me!' Então, correu entre os discípulos a notícia de que aquele discípulo não morreria. Jesus não disse que ele não morreria, mas apenas: 'Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?' Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo os livros que deveriam ser escritos.

Oração

Senhor, não digo que não tenha curiosidade. Mas aceito confiar-me totalmente em vossas mãos. Se me ajudais, estou disposto a aceitar tudo de acordo com vossa vontade. Peço apenas que, nos momentos difíceis, estejais ao meu lado para que eu não fraqueje nem desespere. Segurai-me pela mão todo o caminho, para que vos siga em tudo e até o fim. Seja feita sempre vossa vontade. Amém.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, Doutora da Igreja
Poema «Vuestra soy, para vos nací» (a partir da trad. de OC, Seuil 1995, p. 1225)

«Se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso? Tu, segue-me!»

Sou Tua, para Ti nasci,
Que queres Tu de mim?


Majestade soberana,
Sabedoria eterna
Bondade tão boa para a minha alma,
Deus Altíssimo, Ser único, Bondade,
Repara na minha extrema pequenês,
Em mim que Te canto hoje o meu amor.
Que queres Tu de mim?


Sou Tua, pois me criaste
Tua, pois me resgataste,
Tua, pois me sustentas,
Tua, pois me chamaste,
Tua, pois me esperaste,
Tua, pois não me perdi,
Que queres Tu de mim?


Que queres Tu, pois, Senhor tão bom,
Que faça uma tão vil serva?
Que missão deste Tu
A esta escrava pecadora?
Eis-me aqui, meu doce amor,
Doce amor, eis-me aqui.
Que queres Tu de mim?


Eis o meu coração,
Deponho-o na Tua mão,
Juntamente com o meu corpo, a minha vida, a minha alma,
As minhas entranhas e todo o meu amor.
Doce Esposo, meu Redentor,
Ofereci-me para ser Tua,
Que queres Tu de mim?


Dá-me a morte, dá-me a vida,
A saúde ou a doença
Dá-me honrarias ou humilhações,
A guerra ou a mais profunda paz,
A debilidade ou a força absoluta,
A tudo Te digo sim:
Que queres Tu de mim? [...]


Sou Tua, para Ti nasci,
Que queres Tu de mim?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

João 21,15-19

“Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: ‘ Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo’.

Três vezes Pedro disse que nem conhecia Jesus. Imagino o que terá pensado e sentido quando Jesus lhe perguntou três vezes se o amava. Duas vezes respondeu “tu sabes que te amo”, apelando para o testemunho de Jesus. Na terceira vez entrega-se: tu sabes tudo, conheces minhas misérias, minhas covardias e meus medos. Mas sabes que, apesar de tudo, te amo do jeito que posso.


Jesus manifestou-se aos seus discípulos e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?' Pedro respondeu: 'Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo'. Jesus disse: 'Apascenta os meus cordeiros'. E disse de novo a Pedro: 'Simão, filho de João, tu me amas?' Pedro disse: 'Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo'. Jesus disse-lhe: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: 'Simão, filho de João, tu me amas?' Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: 'Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo'. Jesus disse-lhe: 'Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir.' Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou : 'Segue-me'.

Oração

Senhor, vós sabeis tudo. Conheceis o meu íntimo mais do que eu mesmo, vedes minhas qualidades e defeitos, sabeis que sou uma mistura de coragem e medo, de generosidade e mesquinharia. Por isso apelo para vossa bondade. Tende pena de mim, ajudai-me, aumentai o amor que esperais de mim, tornai-o mais coerente e sério. Pelo menos aumentai meu desejo de vos amar. Amém.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Bem-aventurado João XXIII (1881-1963), Papa
Diário da Alma (Lisboa, Paulus Ed., p. 363)

«Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes? [...] Amas-Me? [...] Amas-Me?»

O sucessor de Pedro sabe que, na sua pessoa e na sua actividade, é a graça e a lei do amor que sustenta, vivifica e embeleza tudo; e, diante do mundo inteiro, a Igreja Santa apoia-se no intercâmbio de amor entre Jesus e ele, Simão Pedro, filho de João, como sobre um alicerce visível e invisível: Jesus invisível aos olhos da carne, o Papa, Vigário de Cristo, visível ao mundo inteiro. Meditando neste mistério de amor íntimo entre Jesus e o Seu Vigário, que honra e que felicidade para mim, mas ao mesmo tempo que motivo de confusão pela pequenez, pelo nada que sou.

A minha vida deve ser toda de amor a Jesus e, simultaneamente, uma completa efusão de bondade e de sacrifício por cada alma e por todo o mundo. É rapidíssima a passagem do episódio evangélico que proclama o amor do Papa a Jesus e, através Dele, às almas, à lei do sacrifício. O próprio Jesus anuncia-o assim a Pedro: «Eu te garanto: quando eras mais novo, punhas o cinto e ias para onde querias. Quando fores mais velho, estenderás as mãos e outro te apertará o cinto e te levará para onde não queres ir» (Jo 21, 18).

Pela graça do Senhor, ainda não entrei nesta velhice mas, com os meus oitenta anos feitos, encontro-me à porta. Portanto, devo estar preparado para este último trajecto da minha vida, em que me esperam limitações e sacrifícios, até ao sacrifício da vida corporal e ao abrir da vida eterna. Jesus, estou disposto a estender as minhas mãos, já trémulas e fracas, a deixar que outro me ajude a vestir-me e me ajude na caminhada.

Senhor, a Pedro acrescentaste: «e te levará para onde não queres ir». Depois de tantas graças, multiplicadas durante a minha longa vida, não há nada que não queira. Jesus, Tu revelaste-me o caminho: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores» (Mt 8, 19).

quinta-feira, 20 de maio de 2010

João 17,20-26

“Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim...”

A “glória” de Jesus é sua divindade, sua união plena com o Pai. Aos seus discípulos ele dá uma participação real na sua divindade e na sua união com o Pai. Essa participação de todos na divindade de Jesus e na sua união com o Pai é a fonte da unidade entre nós. Não estamos unidos por simples simpatia ou amizade, nem nos unem apenas projetos humanos e interesses comuns.

Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 17,20-26
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João:

Naquele tempo, Jesus levantou os olhos ao céu e disse: Pai Santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra, para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. Eu dei-lhes glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como me amaste a mim. Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes também conheceram que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e o tornarei conhecido ainda mais, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles'.

Oração

Senhor, aumentai minha participação na vida divina da Trindade, aprofundai minha fé, fortalecei minha esperança, ampliai minha capacidade de amar, e estarei mais unido a meus irmãos. Serei capaz de os compreender e aceitar; saberei perdoar e desculpar; estarei sempre pronto a cooperar e ajudar. Fazei-nos mais santos, e nosso relacionamento fraterno será muito melhor. Amém.

Comentário ao Evangelho do dia feito por João Paulo II - Encíclica «Ut unum sint», § 22

«Que todos sejam um»

Quando os cristãos rezam juntos, a meta da unidade fica mais próxima. A longa história dos cristãos, marcada por múltiplas fragmentações, parece recompor-se tendendo para a fonte da sua unidade, que é Jesus Cristo. Ele «é sempre o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade» (Heb 13, 8). Na comunhão de oração, Cristo está realmente presente; reza «em nós», «connosco» e «por nós». É Ele que guia a nossa oração no Espírito Consolador, que prometeu e deu à sua Igreja no Cenáculo de Jerusalém, quando a constituiu na sua unidade original.

No caminho ecuménico para a unidade, a primazia pertence, sem dúvida, à oração comum, à união orante daqueles que se congregam à volta do próprio Cristo. Se os cristãos, apesar das suas divisões, souberem unir-se cada vez mais em oração comum ao redor de Cristo, crescerá a sua consciência de como é reduzido o que os divide em comparação com aquilo que os une. Se se encontrarem sempre mais assiduamente diante de Cristo na oração, os cristãos poderão ganhar coragem para enfrentar toda a dolorosa realidade humana das divisões, e reencontrar-se-ão juntos naquela comunidade da Igreja que Cristo forma incessantemente no Espírito Santo, apesar de todas as debilidades e limitações humanas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

João 17,11b-19

Naquele tempo: Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: 'Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. Agora, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si a minha alegria plenamente realizada.Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade'.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Agostinho (354-430)
Bispo de Hipona (Africa do Norte) e Doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de São João, n°11

«Eles não são do mundo, como Eu também não sou do mundo»

Escutai todos, judeus e gentios [...]; escutai, todos os reinos da terra! Não impeço o vosso domínio deste mundo, «o Meu Reino não é deste mundo» (Jo 18, 36). Não receeis, portanto, com aquele temor insensato que invadiu Herodes quando lhe anunciaram o Meu nascimento. [...] Não, diz o Salvador, «o Meu Reino não é deste mundo». Vinde todos a um reino que não é deste mundo; vinde pela fé; que o temor não vos torne cruéis. É verdade que, numa profecia, o Filho de Deus disse ao falar do Pai: «Por Ele, fui nomeado rei em Sião, na Sua montanha santa» (Sl 2, 6). Mas esta Sião e esta montanha não são deste mundo.

O que é, com efeito, o Seu Reino? São aqueles que crêem n'Ele, aqueles a quem Ele disse: «Vós não sois do mundo, como Eu também não sou do mundo». E, no entanto, Ele quer que eles estejam no mundo; Ele pede ao Pai: «Não Te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno». Porque Ele não disse: «O Meu Reino não está neste mundo» mas sim: «não é deste mundo; se o Meu Reino fosse deste mundo, os Meus servos viriam combater para que eu não fosse entregue» (Jo 18, 36).

Com efeito, o Seu reino está verdadeiramente aqui na Terra até ao fim do mundo; até à colheita, o joio está misturado com o trigo (Mt 13, 24ss.). [...] O Seu reino não é daqui porque Ele é como um viajante neste mundo. Àqueles sobre os quais reina, disse: «Vós não sois do mundo porque Eu vos escolhi do meio do mundo». (Jo 15, 19). Portanto, eles eram deste mundo quando ainda não eram o Seu Reino e pertenciam ao príncipe deste mundo (Jo 12, 31). [...] Todos aqueles que são engendrados da raça de Adão pecador pertencem a este mundo; todos aqueles que foram regenerados em Jesus Cristo pertencem ao Seu Reino e já não são deste mundo. «Com efeito, Deus arrancou-nos ao poder das trevas e transferiu-nos para o Reino do Seu Filho bem-amado» (Col 1, 13).

terça-feira, 18 de maio de 2010

João 17,1-11a

Naquele tempo: Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: 'Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti'.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Cirilo de Alexandria (380-444), Bispo e Doutor da Igreja
Comentário ao evangelho de João, 11, 7; Pg 74, 497-499 (a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent)

«Pai, tenho manifestado o Teu nome aos homens»

O Filho não manifestou o nome do Pai apenas revelando-o e dando-nos uma instrução exacta sobre a Sua divindade, uma vez que que tudo isso tinha sido proclamado antes da vinda do Filho, pela Escritura inspirada. O Filho também nos ensinou, não só que Ele é verdadeiramente Deus, mas que é também verdadeiramente Pai, e que é assim verdadeiramente chamado, pois tem em Si mesmo e produz para fora de Si mesmo o Filho, que é co-eterno com a Sua natureza.

O nome de Pai é mais apropriado a Deus do que o nome de Deus: este é um nome de dignidade, aquele significa uma propriedade substancial. Porque quem diz Deus diz o Senhor do universo. Mas quem nomeia o Pai específica a característica da pessoa: mostra que é Ele que gera. Que o nome de Pai é mais verdadeiro e mais apropriado que o de Deus mostra-no-lo o próprio Filho pelo modo como o usa. Pois Ele não dizia: «Eu e Deus», mas: «Eu e o Pai somos um» (Jo 10, 30). E dizia também: «Foi a Ele, ao Filho, que Deus marcou com o Seu selo» (Jo 6, 27).

Mas, quando mandou os seus discípulos baptizarem todos os povos, ordenou expressamente que o fizessem, não em nome de Deus, mas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 19).

segunda-feira, 17 de maio de 2010

João 16,29-33

Naquele tempo: Os discípulos disseram a Jesus: 'Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus. Jesus respondeu: 'Credes agora? Eis que vem a hora - e já chegou - em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!'

domingo, 16 de maio de 2010

Combatente Incansável

Maria Ires do Socorro Bezerra

Fábio de Melo - Padre!

Poetando pelos caminhos, cristifica quem dele se avizinha

com roupagem diferente, veste O Evangelho de milênios

impacta, atrai pela surpreendente human-idade

Sorriso maroto de homem-menino

faz com as palavras, cirandas de poesia

tímido-espontâneo; reservado-excêntrico

fragilidade-força; solenidade, brandura-valentia

Combativo guerreiro, exorta colegas de Missão

sob a energia inovadora de sua ação

recolhem-se perdidos, marginalizados, carentes

nela encontram coragem de seguir em frente

Pastor, cujas decadências destrói e constrói o poder

de um novo sonhar; faz no peito, a chama arder

iridescente esperança, a vontade de ser, ter

da vida uma nova visão; um pleno-aberto-coração

Missionário transparente, amigo, irmão

conforta, anima; a ganhar e a perder, ensina

fidelidade a JESUS, discernimento, perseverança, ética

busca a sabedoria do equilíbrio - tônica da sua cristã poética.

Recife, 13 de maio de 2010.

Lucas 24,46-53

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 'Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sereis testemunhas de tudo isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto'. Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.

sábado, 15 de maio de 2010

"NÃO À IDOLATRIA...
Já no primeiro século São Pedro escreveu aos fiéis, advertindo-os: “Assim como entre o povo (de Israel) houve falsos profetas, do mesmo modo haverá também entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado....” (II Pd 2, 1-2).
Somos acusados de praticar a idolatria, e muitos usam o texto bíblico de (Ex 20,4)
O mesmo Deus, no mesmo livro do Êxodo, manda Moisés fazer dois querubins de ouro e colocá-los por cima da Arca da Aliança (Ex 25,18-20). Manda-lhe, também, fazer uma serpente de bronze e colocá-la por cima duma haste, para curar os mordidos pelas serpentes venenosas (Num 21,8-9). Manda, ainda, a Salomão enfeitar o templo de Jerusalém com imagens de querubins, palmas, flores, bois e leões (IReis 6,23-35 e 7,29), etc.
Blasfêmia
Seria uma grave blasfêmia desses “crentes” considerar Deus como esclerosado, já que num lugar da Bíblia manda fazer imagens, esquecido que no outro lugar o teria proibido! Ora os primeiros cristãos martirizados aos milhares porque se recusaram a adorar imagens de deuses falsos, estudaram a Bíblia com mais atenção e respeito. Eles não tiravam esses trechos proibitivos de seu contexto e, comparando-os com outros, ficaram convencidos de que Deus proíbe apenas fazer imagens de deuses falsos, e adorá-los, - como faziam os vizinhos pagãos, - mas Ele não proíbe fazer outras imagens.
Além do texto de (Ex 2,2-5). Esta proibição, intencionada por Deus, repete-se em vários lugares da Bíblia, como por ex. “Não adores nenhum outro deus” (Ex 34,14) ou “Não farás para ti deuses fundidos” (Ex 34,17).
Por isso os primeiros cristãos pintaram nas catacumbas muitas imagens das cenas bíblicas do Antigo Testamento, e legaram, para a veneração dos séculos posteriores, as imagens de Cristo-Sofredor, na toalha de Verônica, e no sudário sepulcral, guardado em Turim, na Itália.
“Livro”
Alguns santos dos primeiros séculos afirmavam que as imagens da Bíblia, da Via-Sacra, de Jesus crucificado e dos santos são o único “livro” que também os pobres e analfabetos entendem e aproveitam. Isso vale, ainda hoje, para milhões de pessoas.
O sentido da veneração das imagens, segundo a tradição dos Apóstolos, está resumido nesta bênção de imagens, do Ritual Católico:

“Deus eterno e todo-poderoso, não reprovais a escultura ou a pintura das imagens dos santos, para que à sua vista possamos meditar os seus exemplos e imitar as suas virtudes. Nós vos pedimos que abençoeis e santifiqueis esta(s) imagens(s), feita(s) para recordar e honrar o vosso Filho Unigênito e nosso Senhor Jesus Cristo”.
È importante saber interpretar
Não é certo “pescar” um trecho da Bíblia e fazê-lo dizer o que a gente bem entende, transformando-o em instrumento de guerra. Todo texto bíblico é fruto de uma provocação ou, se quisermos, de um confronto.
Os textos que citamos acima e tantos outros pertencem ao que chamamos de Decálogo e o Decálogo surgiu como resultado de uma provocação ou confronto. O confronto é este: alguns anos antes os hebreus haviam sido libertados da escravidão no Egito. O Egito também tinha sua religião, seus deuses e suas representações de deuses. E o que essa religião, e esses deuses provocavam? Nada mais nada menos do que a escravização e a morte dos hebreus, pois o Faraó era visto e adorado como filho da divindade. Ele, filho de deuses, decreta o fim dos hebreus. E quem tirou os hebreus da escravidão foi Javé.
A Terra prometida, que iria ser conquistada pelos hebreus, era uma terra habitada e ocupada. Aí havia os reis cananeus que se consideravam filhos da divindade, e também aí se faziam representações de deuses que provocavam a morte do povo, dos camponeses.
Muito mais do que uma imagem
Portanto, a idolatria de que fala o Decálogo é muito mais do que uma imagem ou estátua. Idolatria é participar de um projeto de sociedade que provoca sempre mais a escravidão e a morte do povo. O Decálogo é uma proposta de sociedade totalmente diferente do projeto social do Egito e dos reis cananeus. É por isso que o Decálogo proíbe fazer imagens ou representações de Javé, pois facilmente o povo de Deus confundiria Javé com os ídolos dos povos vizinhos.
Tudo aquilo que afastam as pessoas do Deus verdadeiro são ídolos. As imagens não nos afastam, ao contrário ajudam as pessoas a se aproximar Dele. Os ídolos de hoje são outros, basta aprofundar as tentações de Jesus (Mateus 4,1-11 e Lucas 4,1-12).
Sabemos que nenhum cristão é tão ingênuo a ponto de confundir uma imagem de gesso, madeira, metal etc. com a divindade. Menos ainda uma obra de arte, uma pintura. Além disso, os Católicos esclarecidos só adoram a Deus. Os santos não são Deus, mas pessoas que viveram profundamente a vontade de Deus no seu tempo e em suas vidas.
Sinais
Portanto, usar a Bíblia para afirmar que os católicos adoram ídolos é fazer leitura fundamentalista da Bíblia, poderemos até afirmar que Deus permite, sim, fazer imagens.
Não vale a pena usar a Bíblia para brigar uns com os outros. Aliás, essas questões costumam ser resultado de uma leitura desencarnada da Bíblia. E nós devemos desconfiar das propostas religiosas que se baseiam na condenação da fé dos outros. Que valor você dá às religiões ou aos modos de viver a religião que vêem tudo errado nos outros e procuram ganhar pontos em cima disso?

Para os católicos as imagens são apenas sinais, e nada mais. Os santos e as imagens não são o ponto final de nossa fé. São simples indicações.
A idolatria, portanto, é muito mais que um objeto de madeira ou de pedra ou de ferro ou de ouro etc. Idolatria é tudo o que nega ou tira a liberdade e a vida do povo de ontem e de hoje.

Deixemos de briga meus caríssimos e realizemos o desejo de Jesus: “Para que todos sejam um, como Tu, Pai, em Mim e Eu em Ti; para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (Jo 17, 21-22) e “que haja um só rebanho e um só Pastor” (Jo 10, 16).

Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13, 34-35).

Pe. Francisco Neto Batista
Vigário da Paróquia de São João Bosc"

João 16,23b-28

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai.'

sexta-feira, 14 de maio de 2010

João 15,9-17

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

João 16,16-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo.' Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: 'O que significa o que ele nos está dizendo: 'Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo', e: 'Eu vou para junto do Pai'?' Diziam, pois: 'O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer.' Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: 'Estais discutindo entre vós porque eu disse: `Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis'? Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

João 16,12-15

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu.

“Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena.”

Como bom mestre Jesus anunciou aos poucos sua mensagem, à medida da capacidade de seus discípulos. Nessa despedida final, anuncia que o Espírito continuará acompanhando sua comunidade, conforme as necessidades do momento, guiandoa para uma compreensão cada vez mais profunda de sua proposta. Essa presença do Espírito é que nos ajuda a crescer na fé e no amor.


Oração

Senhor, prometestes para nós a presença contínua do Espírito Santo. Fazei-nos dóceis a seus ensinamentos, disponíveis sempre para seguir seus impulsos. Em nossa vida pessoal ou de comunidade encontramos sempre novos desafios; por isso pedimos que o Espírito nos faça recordar de vossas palavras, e nos ilumine para as aplicar às dificuldades e dúvidas do presente. Amém.

terça-feira, 11 de maio de 2010

João 16,5-11

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Agora, parto para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: 'Para onde vais?' Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu os vossos corações. No entanto, eu vos digo a verdade: É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei.

E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: o pecado, porque não acreditaram em mim; a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Cardeal John Henry Newman (1801-1892)
Presbítero, Fundador de comunidade religiosa, teólogo
Meditações e Devoções, cap. 14, O Paráclito (a partir da trad. Lecoffre/Brémond rev.)

«Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei.»

Meu Deus, Paráclito eterno, adoro-Te, Tu que és Luz e Vida. Podias ter-Te contentado em me enviar de fora bons pensamentos, a graça que os inspira e os realiza; podias ter-me orientado assim na vida, purificando-me apenas através da Tua acção interior no momento da minha passagem para o outro mundo. Porém, na Tua infinita compaixão, entraste dentro da minha alma desde o começo, dela tomaste posse, dela fizeste um templo para Ti. Por meio da Tua graça, habitas em mim de maneira inefável, e uniste-me a Ti e a toda a assembleia dos santos. Mais ainda, estás pessoalmente presente em mim, não apenas pela Tua graça, mas pelo Teu próprio ser, como se, mantendo embora a minha personalidade, eu fosse, de certa maneira, absorvido em Ti já nesta vida. E, como tomaste posse do meu corpo na sua fraqueza, também ele é templo Teu (1Cor 6, 19). Verdade espantosa e temível! Ó meu Deus, creio e sei que assim é!

Poderei pecar estando Tu em mim de forma tão íntima? Poderei esquecer Quem está comigo, Quem está em mim? Poderei expulsar o Hóspede divino através daquilo que Ele mais detesta, da única coisa que O ofende, da única realidade que não é Sua? [...] Meu Deus, tenho uma dupla protecção contra o pecado: primeiro, o temor de semelhante profanação, na Tua presença, de tudo quanto és em mim; e depois, a confiança em que esta presença me protegerá do mal. [...] Nas provas e nas tentações, chamarei por Ti. [...] Graças a Ti, nunca Te abandonarei.

Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 14,23-29.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João:

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 'Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que eu vos disse: 'Vou, mas voltarei a vós`. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santa Teresa de Ávila (1515-1582)
Carmelita, Doutora da Igreja - Relações diversas, 46, 48

«Se alguém Me tem amor, [...] viremos a ele e nele faremos morada.»

Usufruía certo dia, estando recolhida, desta companhia que tenho sempre na alma; e pareceu-me que Deus aí Se encontrava, de tal maneira que me recordei daquelas palavras de São Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16), porque Deus estava realmente vivo em mim. Esta tomada de consciência não se assemelhava às outras, pois elevava o poder da fé; não se pode duvidar de que a Trindade está na nossa alma com uma presença especial, com o Seu poder e a Sua essência. Espantada por ver tão alta Majestade em criatura tão vil como a minha alma, ouvi estas palavras: «A tua alma não é vil, minha filha, porque foi feita à Minha imagem» (cf. Gn 1, 27).

Noutro dia, meditava nesta presença das três Pessoas divinas em mim, e a luz era de tal maneira viva, que não havia dúvida de que ali estava o Deus vivo, o Deus verdadeiro. [...] Pensei na amargura desta vida, que nos impede de estar sempre em tão admirável companhia e [...] o Senhor disse-me: «Minha filha, depois desta vida não poderás servir-Me como agora. Por isso, quer comas, quer durmas, quer faças outra coisa qualquer, faz tudo por Mim, como se já não te tivesses a ti, mas só a Mim em ti, como proclamou São Paulo (cf. Gal 2, 20).»

sábado, 8 de maio de 2010

João 15,18-21

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia. Lembrai-vos daquilo que eu vos disse: 'O servo não é maior que seu senhor'. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Cipriano (c. 200-258)
Bispo de Cartago e mártir - Carta 56 (a partir da trad. rev. Tournay)

«Como não vindes do mundo, pois fui Eu que vos escolhi do meio do mundo, por isso é que o mundo vos odeia»

O Senhor quis que nos alegrássemos, que rejubilássemos de alegria quando somos perseguidos (Mt 5, 12), porque, com as perseguições, vem-nos também a coroa da fé (Tg 1, 12), pois é nessa altura que os soldados de Cristo dão prova do que são, que os céus se abrem ao seu testemunho. Não pertencemos à milícia de Cristo para vivermos descansados, para repousarmos durante o serviço, quando o Mestre da humildade, da paciência e do sofrimento pertenceu à mesma milícia antes de nós. E aquilo que Ele nos ensinou, que foi o primeiro a cumprir e que nos exorta a cumprirmos também, foi que Ele próprio sofreu antes de nós e por nós.

Para participarem nas competições dos estádios, os homens exercitam-se, treinam, e são objecto de grandes honras quando, diante da multidão, recebem o prémio. Mas eis aqui uma prova ainda mais nobre e extraordinária, em que é diante de Deus que combatemos, nós que somos Seus filhos, e em que Ele mesmo nos concede a coroa celestial (1Cor 9, 25). Também os anjos nos olham e é Cristo Quem nos assiste. Armemo-nos pois com todas as nossas forças para travarmos o bom combate, de alma generosa e fé íntegra.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

João 15,12-17

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Doroteu de Gaza (c.500-?)
Monge na Palestina - Instruções, VI, 76-78 (a partir da trad. SC 92, p. 281-287)

Amar a Deus e ao próximo

Quanto mais unidos estamos ao próximo, mais unidos estamos a Deus. Vou dar-vos uma imagem retirada dos Padres para compreenderdes o sentido destas palavras. Pensai num círculo traçado no chão, isto é, numa linha feita com um compasso, a partir de um centro; ao meio do círculo chama-se justamente centro. Aplicai o vosso espírito ao que vos digo. Imaginai que este círculo é o mundo, que o centro é Deus, e os raios são as diferentes vias ou maneiras de viver dos homens. Quando os santos, desejando aproximar-se de Deus, se dirigem para o meio do círculo, na medida em que penetram no seu interior, aproximam-se uns dos outros ao mesmo tempo que se aproximam de Deus. Quanto mais se aproximam de Deus, mais se aproximam uns dos outros; e, quanto mais se aproximam uns dos outros, mais se aproximam de Deus.

E compreendeis que o mesmo acontece em sentido inverso, quando as pessoas se afastam de Deus para se retirar para o exterior; é então evidente que, quanto mais se afastam de Deus, mais se afastam uns dos outros, e, quanto mais se afastam uns dos outros, mais se afastam também de Deus.

Tal é a natureza da caridade. Na medida em que estamos no exterior e não amamos a Deus, nessa medida, distanciamo-nos do próximo. Mas, se amamos a Deus, quanto mais nos aproximamos Dele pela caridade, tanto mais comunicamos a caridade ao próximo; e, quanto mais unidos estamos ao próximo, mais unidos estamos a Deus.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

João 15,9-11

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Tomás de Celano (c. 1190-c. 1260)
Biógrafo de São Francisco e de Santa Clara
Vita Secunda de São Francisco, §§ 125 e 127 (a partir da trad. de Debonnets et Vorreux, Documents, p.430)

«Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a Minha alegria»

São Francisco afirmava: «Contra todas as maquinações e ardis do inimigo, a minha melhor defesa continua a ser o espírito da alegria. O diabo nunca fica tão contente como quando consegue arrebatar a alegria à alma de um servo de Deus. Ele tem sempre uma reserva de poeira que sopra na consciência através de qualquer orifício, para tornar opaco o que é límpido; mas em vão tenta introduzir o seu veneno mortal num coração repleto de alegria. Os demónios não podem nada contra um servo de Cristo que encontram repleto de santa alegria; enquanto uma alma desgostosa, melancólica e deprimida se deixa facilmente submergir pela tristeza ou absorver por prazeres enganosos.»

Eis por que ele mesmo se esforçava por manter sempre o coração alegre, por conservar esse óleo da alegria com o qual a sua alma tinha sido ungida (Sl 44, 8). Tinha grande cuidado em evitar a tristeza, a pior das doenças, e, quando sentia que ela se começava a infiltrar na sua alma, recorria imediatamente à oração. «À primeira perturbação, dizia ele, o servo de Deus deve levantar-se, pôr-se em oração e permanecer diante do Pai até que Ele lhe faça recuperar a alegria própria daquele que foi salvo» (Sl 50,14). [...]

Com os meus próprios olhos o vi eu por vezes apanhar do chão um pedaço de madeira, colocá-lo sobre o braço esquerdo e raspá-lo com um pau como se tocasse com o arco na viola; assim, fazia de conta que acompanhava [com música] os louvores que cantava ao Senhor em francês.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

João 15,1-8

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 'Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vós será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

João 14,27-31a

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que eu vos disse: 'Vou, mas voltarei a vós'. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou.