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terça-feira, 29 de setembro de 2009

João 1,47-51

"Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: ‘Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade’
Jesus faz um grande elogio a esse Natanael, que talvez fosse o apóstolo também chamado de Bartolomeu. Diz que ele de fato fazia parte do povo de Deus, era fiel à aliança, e sem nenhuma falsidade servia o Senhor. Bem que isso poderia ser um programa para nós: viver intensamente nossa aliança com Deus e com os irmãos, assumir uma atitude de coerência total em nossa vida.

ORAÇÃO

Senhor, alegro-me com Natanael e tantos irmãos e irmãs na fé, que vivem fielmente como nos ensinastes. Bendigo-vos por tantos santos e santas que vou encontrando na vida, gente humilde e desconhecida, mas que vos ama tanto. Guardai-os em vossa amizade, ajudai-os a crescer no amor e na disponibilidade em favor de todos nós. Dai-lhes a paz, a alegria e a fidelidade. Amém.
Evangelho: (Lc 9,46-50)

28/09/2009

"Os discípulos discutiam quem deles seria o maior. Jesus colocou uma criança perto de si e disse-lhes: ‘Quem receber esta criança em meu nome, é a mim que recebe’ ".
A criança não era levada em conta, não era importante. Mas Jesus a acolhe, E deixa claro que só o acolhe e aceita como mestre e amigo quem acolhe os pequenos, os sem importância. Se o importante é acolher os pequenos, que importância têm as altas posições na Igreja e na Sociedade? Importante é quem de fato é pequeno, e não quem se faz de pequeno, de pobre ou de humilde.

ORAÇÃO

Senhor, se eu fosse grande e importante, poderia ficar alarmado com vossas palavras. Ensinai-me a não me fazer de importante, mas a pôr minha alegria e confiança em vós, que podeis ajudar-me com vossa graça. Confio em vós, alegro-me com os dons que me destes, e porque me acolheis apesar de pequeno. Quero fazer o que puder para acolher e ajudar os que vos procuram. Amém.
Evangelho: (Mc 9,38-43.45.47-48)

27/09/2009

"João disse a Jesus: ‘Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue’. Jesus disse: ‘Não o proibais...’ "
João é, na tradição cristã, o pregador do amor fraterno. Mas no começo ele não era assim tolerante. Encheu-se de ciúmes ao ver alguém que agia com o poder de Jesus sem ser do seu grupo. Como nós, que muitas vezes não entendemos que Deus possa fazer o bem através de pessoas que julgamos pecadoras, heréticas ou sem religião. Parece até que pretendemos ter o monopólio do bem.

ORAÇÃO

Senhor, eu creio no vosso poder imenso, que tudo faz para nosso bem. Creio que vossa graça age também no coração dos que ainda não são vossos discípulos. Eu vos agradeço, porque bondosamente os guias por caminhos que só vós conheceis, mas sempre de maneira que, se quiserem, poderão encontrar a vida e a felicidade que nos ofereceis. Eu vos bendigo por tanta bondade. Amém.
Evangelho: (Lc 9,43b-45)
26/09/2009

"Todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então ele disse a seus discípulos: ‘Prestai atenção: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens’ ".
Jesus não se iludia. Se muitos acreditavam nele e o admiravam, muitos outros não o aceitavam. E mesmo os que nele acreditavam nem sempre eram levados por uma fé madura e sólida. Tinha paciência com esses, e para salvar os outros estava pronto a aceitar tudo, até a própria morte, mas nunca iria desdizer o que tinha ensinado sobre o Pai e sobre o jeito novo de viver no amor e na paz.

ORAÇÃO

Senhor, aumentai minha fé, não permitais que vos abandone. Sei que não quereis meu sofrimento, mas quereis que eu saiba suportar, sem desânimo, tristeza ou revolta, os sofrimentos inevitáveis desta vida. Dai-me um pouco de vossa coragem e de vossa coerência, para que não desista do evangelho diante das contradições ou até de perseguições. Quero estar sempre convosco. Amém.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Lucas 9,18-22


"Aconteceu que Jesus estava orando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele".
Mais vezes os evangelhos falam de Jesus orando sozinho, em lugares desertos. Nesta passagem, porém, os discípulos estavam com ele, não apenas presentes no mesmo lugar. Mas certamente também orando. E posso imaginar que Jesus os ensinava a orar, a estar na presença do Pai, falando-lhe e ouvindo-o. Na oração aprendiam a conhecer Jesus, como vemos na resposta de Pedro.

ORAÇÃO

Senhor, depois de tantos anos ainda preciso aprender a orar. Até que sei repetir fórmulas decoradas, ou usar frases espontâneas. Mas preciso aprender mais. Ensinai-me a gastar tempo convosco, não só falando, mas também ouvindo, procurando assimilar vossa palavra, e vendo o que preciso mudar em minha vida. Dai-me paciência para aprender aos poucos, sem desistir. Amém.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Lucas 9,7-9


"Então Herodes disse: ‘Eu mandei degolar João.Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?’ E procurava ver Jesus".
Herodes acabou vendo Jesus só depois, quando o trouxeram preso a sua presença. Na verdade não estava interessado em Jesus, tinha apenas curiosidade de ver alguém de quem todos falavam; não acreditava em nada, nem tinha preocupações espirituais. Seu coração ainda não estava aberto para que pudesse aceitar o evangelho. Quem sabe se Deus o terá afinal conquistado.

ORAÇÃO

Senhor, livrai-me da curiosidade religiosa descompromissada. Dai-me fome e sede de vós, de vossa palavra que me salva. Não quero confiar em mim, mas só em vós e em vossa bondade. Conquistai meu coração, para que vos conheça à luz da fé, para que vos ame o mais que possa, e que vos amando eu vos conheça cada vez mais profundamente. Senhor, eu vos quero ver. Amém.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Lucas 9,1-6

"Disse-lhes Jesus: ‘Não leveis nada para o caminho: nem cajado nem sacola nem pão nem dinheiro nem mesmo duas túnicas’ ".
Enviados para anunciar o evangelho da salvação, os apóstolos não devem pôr sua confiança nos meios humanos. Mesmo quando os usam, devem saber que não são indispensáveis, nem de resultado garantido. Indispensáveis são o poder e a autoridade que Cristo lhes confere. Não devem confiar em si, em sua eloquência. Não são propagandistas: devem mostrar em sua vida o que ensinam.

ORAÇÃO

Senhor, todos nós somos enviados a evangelizar. Unido a vós, pela graça, terei o poder necessário. Vivendo como ensinais, terei a autoridade. Tomai conta de mim, transformai-me interiormente, fazei de mim instrumento vosso para a salvação de todos que me confiais. Que eu forme comunidade com meus irmãos, para que nossa vida fraterna manifeste vossa presença e vosso poder. Amém.

22/09/2009 Evangelho: (Lc 8,19-21)

"A mãe e os parentes de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão".
A passagem de Lucas quer salientar como é importante ouvir e praticar a palavra de Deus. Vamos, porém, observar o seguinte: por mais amor que tenha por sua mãe e seus familiares, nem por isso Jesus deixa de cumprir sua missão. De nós exige o mesmo. Temos de colocá-lo, temos de colocar a missão que nos confia antes de tudo e acima de todos os afetos, por mais santos que sejam.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, imagino quanto amastes Maria, vossa mãe. Mesmo assim a deixastes para anunciar o evangelho. Mais de uma vez eu também terei de fazer minha escolha. Ajudai-me, para que nenhum afeto, por maior e mais santo, me impeça de vos seguir sempre, de me colocar livre e desimpedido a vosso serviço. Fazei-me compreender que o verdadeiro amor não impede a renúncia. Amém.

Mateus 9,9-13

21/09/2009

"Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com ele e seus discípulos".
Mateus devia estar muito contente com o convite para seguir Jesus. Fez uma festa para ele e convidou os amigos, gente não muito piedosa. Seria bom saber o que Jesus disse para os convidados. Na certa os tratou com todo respeito, falou do Pai e de sua misericórdia, convidou-os para o jeito novo de viver que ensinava para todos. Parece que não os convidou a abandonar sua profissão.

ORAÇÃO

Senhor, se estivésseis procurando gente santa e justa, não me teríeis chamado para ser vosso discípulo. Já que me chamastes, só tenho de vos agradecer e procurar viver como me ensinais. Aproveito e peço perdão pelas vezes que me julguei melhor que outros. A mim e a todos os pecadores dai a graça da conversão, para que todos vejam como é grande vossa misericórdia. Amém.

Marcos 9,30-37

20/09/2009

"Dizia-lhes: ‘O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão...’ Os discípulos não compreendiam, e tinham medo de perguntar".
Jesus deve ter falado longamente com seus discípulos sobre o futuro que o esperava. Deve ter explicado muito mais do que vemos nessa frase tão curta do evangelho. Afinal, era preciso tirar-lhes da cabeça os sonhos de grandeza e de glória com que se iludiam. Pouco adiantou; não conseguiam entender o que dizia. E não queriam abandonar seus sonhos; por isso não pediam explicações, porque tinham medo de serem desiludidos. Eles não eram muito diferentes de nós que, para dizer a verdade, temos medo que Deus nos faça acordar e nos liberte de tantas ilusões que ainda cultivamos. Temos medo que ele atenda nossa oração, e nos liberte de apegos e gostos. Ficamos apavorados só de pensar que ele de repente possa nos fazer discípulos seus de fato.

ORAÇÃO

Senhor, aumentai minha disponibilidade para que possa abrir me para a fé. Aumentai em mim essa capacidade nova de vos conhecer e de aceitar vossos projetos sobre mim. Não permitais que preconceitos e opções pessoais me impeçam de compreender vossa palavra. Deixo de lado meus projetos e meus sonhos de grandeza, e aceito o que sabeis ser melhor para mim. Dai-me o apoio de vossa graça, e serei capaz de suportar todas as dificuldades. Aceito as enfermidades e as dores que me esperam no futuro, e também a morte, que às vezes tanto me apavora. Peço apenas que enfermidades e dores sirvam para meu amadurecimento, e que minha morte seja minha entrega confiante em vossas mãos, meu último e maior ato de amor e de aceitação. Amém.

Lucas 8,4-15

19/09/2009

"O semeador saiu para semear a sua semente... A semente é a Palavra de Deus".
Na linguagem bíblica, a palavra de Deus não é simples comunicação de uma idéia. A palavra de Deus é criadora: diz, manda e acontece o universo. É o próprio poder amoroso de Deus que nos quer transformar. É semente, tem em si força própria e misteriosa, é fonte de vida nova, livra-nos da ilusão e do pecado, faz nos filhos e filhas, participantes da vida divina. Mas podemos rejeitá-la.

ORAÇÃO

Senhor, creio no poder transformador de vossa palavra. Dizei vossa palavra de bênção e salvação, e serei transformado. Dobrai minha resistência, amolecei a terra de meu coração, para que vossa palavra, semente de vida, germine e frutifique em mim. Que vossa palavra seja para mim luz, apoio, pão, água: tudo de que preciso para ser feliz. Senhor, dizei uma só palavra e serei salvo. Amém.

Lucas 8,1-3

18/09/2009

"Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres..."
Jesus não era como os rabinos do tempo. Também para as mulheres anunciava o mesmo evangelho, aceitava-as como discípulas e colaboradoras no anúncio da salvação. Na Igreja de Jesus elas sempre tiveram seu lugar. Não há dúvida, porém, que mais espaço ainda pode ser aberto para elas. Como não há dúvida que elas devem ter mais iniciativa, e fazer ainda muito mais por nós.

ORAÇÃO

Senhor, eu vos bendigo pela mulheres que colocastes em nossa vida como uma bênção. Elas são indispensáveis na família, na sociedade, na Igreja. Abençoai a todas, dai-lhes um coração capaz de muito amor, fazei-as alegres e corajosas, meigas e firmes. Que em sua vida possamos ver vosso evangelho, que seu amor nos ajude a compreender um pouco mais o vosso amor. Amém.

Lucas 7,36-50

17/09/2009

"E Jesus disse à mulher: ‘Teus pecados estão perdoados’. Então, os convidados começaram a pensar: ‘Quem é este que até perdoa pecados?’."
Bela cena de conversão e de perdão. Não é o caso de perguntar se o amor é motivo ou consequência do perdão. Porque Deus nos ama, perdoa-nos o pecado e leva-nos ao amor que nos transforma. Sabemos que não merecemos o amor e o perdão de Deus. Se ele nos ama e nos dá o perdão, só podemos agradecer-lhe amando-o mais, amando-o com o máximo de amor que nos der.

ORAÇÃO

Senhor, agradeço porque tantas vezes me perdoastes meus pecados, e me atraístes de novo à vossa amizade. Foi pura bondade vossa, sem que eu o merecesse. Não permitais que ainda vos abandone: guardai-me dos enganos e ilusões. Protegei-me de mim mesmo. Iluminai-me e aumentai meu amor, para que de algum modo corresponda ao vosso amor e às vossas propostas. Amém.

Lucas 7,31-35

16/09/2009

"Com quem vou comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem?"
Os que rejeitam Jesus são como crianças que não se decidem a brincar, porque não querem brincar. Diante de sua mensagem encontram sempre desculpas e pretextos para não a aceitar, não importa o que lhes diga. Essa pode ser nossa atitude quando não estamos dispostos a mudar, e principalmente quando somos levados por preconceitos contra quem nos anuncia o evangelho.

ORAÇÃO

Senhor, preparai meu coração, livrai me dos preconceitos, para que possa estar pronto a ouvir e aceitar vossa mensagem. Iluminai os que me anunciam vosso evangelho, mas principalmente ajudai-me para que não me deixe atrapalhar pelas suas limitações. Perdoai-me a dureza de coração, o orgulho e o convencimento. Dai-me docilidade, para estar sempre pronto a vos ouvir. Amém.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

João 19,25-27


"Disse a sua mãe: ‘Mulher, este é o teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Esta é a tua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo".
João contou muito pouco sobre os últimos momentos de Jesus. Apenas o que lhe parecia mais importante, não apenas para ele, mas para sua comunidade. Jesus confia todos, não apenas o "discípulo amado", aos cuidados maternos de Maria. Não é apenas um testamento familiar, é a revelação de seu lugar central na comunidade de Jesus, em que todos somos salvação uns para os outros.

ORAÇÃO

Senhor, eu vos bendigo por Maria, vossa mãe e minha mãe. Ela sempre foi a mais unida a vós, vossa discípula mais fiel, a que mais intensamente viveu a vida nova que nos trouxestes. Por isso mesmo, mais do que todos, ela pode ajudar-nos com seu exemplo, com suas orações, e principalmente partilhando conosco toda a riqueza da graça que recebeu. Bendita seja nossa mãe Maria. Amém.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

João 3,13-17

"De fato Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna"
Esse é o "evangelho", a boa notícia para todos: Deus quer nossa felicidade porque nos ama! E quer que nossa felicidade agora e sempre seja nossa união com Jesus, nossa participação no seu modo divino de ser. Nunca é demais repetir: o Filho de Deus fez-se humano como nós para podermos ser divinos como ele. Essa certeza pode e deve mudar nossa vida. Somos seus filhos e filhas.

ORAÇÃO

Senhor meu Deus, agradeço vosso amor, a bondade com que me criastes, e mais ainda a misericórdia com que me livrais do mal que está em mim, para me fazer participante de vossa própria vida. Em Jesus, também eu sou vosso filho, capaz de vos amar e assim vos conhecer. Para mim não existe felicidade maior. Sou vosso, guardai-me de tudo quanto me possa separar de vós. Amém.

Marcos 8,27-35

13/09/2009

"Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas". Então ele perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?"
Jesus pede aos discípulos informação sobre o pensamento do povo a seu respeito. Podiam dar a resposta sem dificuldade. Uns diziam isto, outros aquilo. Pronto. A dificuldade, porém, é que depois Jesus pergunta qual é a opinião deles, que significado davam ao seu relacionamento com ele. Já não se tratava de uma informação descompromissada. Tinham de falar sobre si, sobre seus sentimentos, suas certezas e suas dúvidas. A resposta que dessem iria determinar seu futuro, iria significar fé e fidelidade ou abandono definitivo. Podemos imaginar que tenham ficado a se olhar, ninguém querendo tomar a iniciativa. Até que Pedro, empurrado pelo Espírito, falou. E certamente os outros disseram logo: Isso mesmo; é isso que achamos de ti.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, não estais interessado em minhas informações sobre vós. O que sempre de novo me perguntais é se é vosso o primeiro lugar em minha vida, se estou disposto a continuar sempre convosco. Minha resposta é afirmativa. Mas preciso que continueis a me ajudar, porque só assim posso continuar-vos fiel. Minha resposta é afirmativa, mas não quer dizer que sempre e em tudo tenho sido coerente com minha fé. Mais de uma vez ajo como se de fato não acreditasse em vós. Preciso que me ajudeis, dando firmeza maior às minhas convicções. Tomai conta de mim, tomai cuidado comigo, não permitais que jamais vos abandone. Amém.

Lucas 6,43-49

12/09/2009

"O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio".
Não devemos condenar os que erram, mas ajudá-los a voltar para o bem. Não o podemos fazer, porém, se nosso coração não for bom, cheio de justiça e misericórdia. Não é com palavras que ensinamos o caminho do bem. É com a vida, mostrando como é bom fazer o bem, como é feliz quem procura ser justo. A bondade passa de coração a coração, sem se impor, mas apenas seduzindo.

ORAÇÃO

Senhor, dai-me um coração bom e misericordioso, ajudai-me a procurar sempre o bem e a verdade. Assim, transformado por vosso poder, poderei de fato ajudar meus irmãos a descobrir como é bom viver do vosso jeito. Perdoai-me pelas vezes que afastei de vós meus irmãos, quando apresentei vosso evangelho como se fosse um peso. Dai-me, Senhor, um coração alegre e feliz. Amém.

Lucas 6,39-42

11/09/2009

"Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho?"
O provérbio usado por Jesus pode ter mais de um sentido. Vamos escolher um. Diante dos atos e das palavras de nosso irmão, não nos podemos deixar guiar por preconceitos, pois eles nos cegam, nem pela antipatia que falseia nosso julgamento. Temos de ser objetivos e imparciais; e mais: devemos saber o que é certo ou errado, mas nem por isso podemos julgar a intenção de nosso irmão.

ORAÇÃO

Senhor, como sou rápido no condenar meu irmão, mesmo quando nem tenho certeza que seja de fato errado o que ele faz. Perdoai-me, purificai meus sentimentos, iluminaime, e dai-me uma capacidade muito grande de perdão e misericórdia. Ajudai-me, para que eu não apenas veja os erros, mas tudo faça para amparar os que erram, e levá-los de volta ao bom caminho. Amém.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lucas 6,27-38

"Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam".
Jesus ensina um amor incondicional ao próximo, mesmo aos que nos odeiam, amaldiçoam, maltratam ou caluniam. Amar é uma decisão que tomamos, não é apenas um afeto de simpatia; é querer sempre o bem do outro. Esse amor incondicional está fora de nosso alcance; só nos é possível se formos transformados pelo poder de Deus. Amar assim é mais uma graça que um mandamento.

ORAÇÃO

Senhor, meu coração é mesquinho e egoísta, capaz de amar só a si mesmo. Se quereis que ame a todos, até mesmo aos que não me amam, precisais mudar meu modo de ser e de agir. Derramai em mim um pouco de vosso amor, desse amor novo que é a caridade. Ensinai-me a ser generoso e misericordioso, capaz de perdoar e de fazer o bem mesmo a quem me faz o mal. Amém.

Lucas 6,20-26

09/09/2009

"Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!’ "
Ser bem-aventurado é ser muito feliz. Jesus fala de felizes e de infelizes. Felizes são os que não confiam nas riquezas, nem na força, nem nas alegrias falsas, no prestígio e na honra, mas colocam toda sua felicidade no poder de Deus que vem para salvar. Jesus felicita-os e alegra-se com eles, porque está começando um novo tempo, e com ele terão a felicidade que tanto esperam.

ORAÇÃO

Senhor, libertai-me de todas as falsidades e de todos os enganos. Dai-me a graça de confiar só em vós, e não em minhas forças, nem nas riquezas, nem nas posições de prestígio ou de poder. Entrego-me todo em vossas mãos, fazei de mim o que bem quiserdes. Confio em vós, sei que assim encontrarei a felicidade verdadeira e a paz. Fazei de mim alegria e felicidade para todos. Amém.

Mateus 1,18-23

08/09/2009

"A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo".
Cada um de nós existe porque foi pessoalmente amado e escolhido por Deus. De modo especial foi amada e escolhida Maria, preparada para ser a mãe do Salvador e a esposa de José. Foi a mais perfeita das criaturas, a mais agraciada, a mais unida ao Cristo, a que mais saberia assimilar sua doutrina de vida. Maria é motivo de nossa alegria e glória, é nossa irmã e nossa mãe na graça.

ORAÇÃO

Senhor, hoje vos quero louvar e bendizer por Maria, por tudo que a fizestes ser, pelo amor que lhe colocastes no coração. Ao morrer, Jesus a deixou como mãe para todos nós. Ajudai-nos a seguir sempre seu exemplo de entrega total em vossas mãos. E vós, Maria, intercedei sempre por nós para que sejamos discípulos fiéis de Cristo; obtende para nós a graça da perseverança final. Amém.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Lucas 6,6-11

"Aconteceu num dia de sábado que Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca".
Na sinagoga todos os homens adultos podiam comentar a Bíblia e ensinar. Mas, quando Jesus ensinava era diferente, falava de Deus de um jeito novo, e de um modo novo de viver. Porque ele também era diferente. Prestava atenção às pessoas que precisavam de ajuda, tinha convicções firmes e não se deixava levar pelo medo de perigos e ameaças. Dizia a verdade e seguia a verdade.

ORAÇÃO

Senhor, ajudai-me a prestar atenção aos que precisam de mim, sem esperar que me peçam, como fizestes com esse homem. E dai-me também a coragem de, quando for necessário, enfrentar do jeito certo os que de um modo ou de outro querem dominar sobre os irmãos. Que eu saiba anunciar minha fé, sem a impor, para que outros também vos conheçam como Salvador, e vos sigam. Amém.

Marcos 7,31-37

06/09/2009

"Muito impressionados, diziam: ‘Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar’ ".
Marcos fala de uma viagem de Jesus por territórios de pagãos. Pelo que se pode saber, não era uma viagem missionária, para pregação, pois ele procura manter-se oculto e sem atrair multidões. Talvez tenha procurado um pouco de descanso e solidão (Mc 7,24-30). Por ocasião da volta para a Galileia, temos a cura de "um surdo que falava com dificuldade". Jesus leva-o para fora da multidão. Parece que sua intenção é evitar que o sigam apenas por causa dos milagres. Ao fazer milagres, Jesus quer ajudar seus ouvintes a compreender que veio para libertar-nos de todas as escravidões do pecado. Não cura todos os cegos, surdos e paralíticos, mas oferece a todos nós o anúncio da salvação, a luz da fé, a possibilidade de fazer o bem e viver plenamente a vida nova de filhos.

ORAÇÃO

Senhor, eu creio que quereis sempre o nosso bem. Não quereis nosso sofrimento nem nossas doenças. Mas quereis que sejamos felizes mesmo no sofrimento e na doença, nas limitações da vida e nas angústias da morte. Foi o que Jesus, vosso Filho, nos mostrou com sua vida, passando por todas as nossas fraquezas e dores. Durante esta vida não conseguiremos evitar todas as fraquezas e dores, nem a morte. Mas, podemos ser felizes porque somos vossos filhos, participantes de vossa própria vida, e sabemos que podemos ter uma felicidade para sempre. Ajudai-me, Senhor, a viver sempre dessa certeza e dessa esperança. Ajudai-me para que, ao mesmo tempo, eu faça todo o possível para que todos tenhamos condições de vida mais dignas. Amém.

Lucas 6,1-5

05/09/2009

"Passando por uma plantação de trigo, os discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. Alguns fariseus disseram: ‘Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?’ "
A passagem ensina que nossa obediência, mesmo à lei religiosa, deve ser criteriosa, e não apenas literal. Pode, porém, ensinar-nos também a respeitar a consciência dos outros, sem logo os acusar de maldade ou de má intenção, nem lhes impor nossa opinião nas questões livres. Aliás, é isso que Jesus ensina tantas vezes: não devemos condenar, se não queremos ser condenados.

ORAÇÃO

Senhor, dai-me grande apego ao evangelho, e força para o viver o mais fielmente que puder. Mas daime também uma grande compreensão e tolerância paciente com a fraqueza de meus irmãos, e respeito por sua consciência, acreditando que eles também querem seguir o evangelho. E quando estivermos em dúvida, iluminai nosso julgamento, para que decidamos da melhor maneira. Amém.

Lucas 5,33-39

04/09/2009

"Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha".
A doutrina de Jesus é nova, muito diferente das propostas de vida dos pagãos, e muito superior ao que se ensinava no Antigo Testamento. Por isso pode despertar resistência, porque exige mudança total do modo de pensar e agir. E não é possível combinar o evangelho com as outras propostas. Somos convidados a fazer nossa escolha, que deve ser clara, coerente e definitiva.

ORAÇÃO

Senhor, não é fácil a conversão, a mudança de rumo para abraçar vosso evangelho, deixando maneiras de pensar e hábitos cultivados durante muito tempo. Iluminai-me, para que perceba o alcance e as exigências de vossa palavra, para que não tente negociar, mas abrace com alegria vosso jeito de viver e de pensar. Não permitais que me deixe iludir por tantas idéias que me rodeiam. Amém.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Então, a Igreja «adora os santos»?

Doutrina Católica
Dom, 10 de Maio de 2009 20:59

Pe. Henrique Soares da Costa

Desde há muito tempo acusa-se a Igreja católica de desprezar as Sagradas Escrituras e tornar sem eficácia a única mediação de Cristo Jesus com o culto à Virgem Maria e aos Santos.

Também neste ponto - como naquele referente às imagens - não há fundamento algum numa tal acusação.

É verdade que somente Jesus Cristo salva: “Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,11). Ele é o único Mediador entre Deus, nosso Pai, e a humanidade: “Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos”(1Tm 2,5). Nele nós temos a bênção da graça e da salvação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênção espirituais, nos céus, em Cristo. É pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados... (Ef 1,3.7). Este, é, portanto, um ponto central claríssimo da fé católica: só Cristo salva e somente Cristo intercede por nós junto do Pai. Não há outra mediação fora da mediação do único e absoluto Salvador, Cristo Jesus.

Como, então, justificar o culto aos Santos? Como compreender que se fale em intercessão dos Santos e, particularmente, da Virgem Maria?

1. O que é «um Santo»?

Antes de tudo, é importante compreender bem o que é um Santo.

Segundo a Escritura, somente Deus é Santo (cf. 1Sm 2,2; Sl 22,3; Is 6,3). A palavra hebraica «santo» (=kadosh) significa «separado». Deus é o Outro, o que está para além de tudo, o que é diverso de toda a criação, é aquele que não pode ser confundido com as criaturas, aquele que não pode ser manipulado pelo homem. Deus não está entre as criaturas: ele é o sustento de tudo, é o fundamento de tudo: “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Porque é Santo, Deus é completamente livre, soberano, glorioso. A Igreja, fiel à Palavra de Deus, afirma, na Oração Eucarística II: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda a santidade!”

Sendo o Filho eterno do Pai, e Deus com o Pai, Jesus Cristo é o Santo de Deus (cf. Mc 1,24; Lc 1,35; At 3,14...). A cada Domingo a Igreja dirige-se, na Missa, ao Senhor Jesus com estas palavras: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo na glória de Deus Pai” (Oração do Glória). Sendo o Santo, ele nos santificou com a sua cruz e ressurreição, pois, ressuscitando, derramou sobre nós o seu Espírito Santo, Espírito de santificação: “Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: «Recebei o Espírito Santo...» (Jo 20,22). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo do Cristo ressuscitado, que nos dá uma nova vida: a vida do próprio Deus. É esta vida nova que nos faz “Santos”: “Vós vos lavastes, fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito Santo” (1Cor 6,11) “Nele (em Cristo) ele (o Pai) nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). Por isso mesmo São Pedro afirma na sua carta: “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade” (1Pd 2,9).

Assim, aqueles que foram batizados em Cristo receberam a santidade de Cristo porque receberam o Espírito Santo de Cristo, Espírito santificador. Por isso mesmo muitas vezes São Paulo chama todos os cristãos de “Santos” (cf. 1Cor 1,2; 2Cor 1,1; Ef 3,8; Fl 4,21...). No entanto o cristão, sendo santo, ou seja, santificado por Cristo, deve viver como santo. Escrevendo aos Coríntios, o Apóstolo assim se referia aos batizados: ... àqueles que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos... (1Cor 1,2). Em outras palavras: já santificados pelo Batismo, devemos cada vez mais nos abrir à ação do Espírito de santificação, que é o Espírito do Cristo ressuscitado. Vejam bem: a santidade é um fato já concreto para todo batizado: somos santos, fomos santificados e, ao mesmo tempo, é um processo, um desafio, um programa de vida: tornarmo-nos, por nossas ações e atitudes, aquilo que já somos. Assim, há santos que vivem como santos e há santos que vivem como pagãos! Só os primeiros são fiéis à graça recebida no Batismo!

Portanto, “santo”, para a Igreja, é todo cristão! Contudo, damos o nome de «santo» de um modo todo especial àqueles cristãos, irmãos nossos - canonizados ou não -, que já estão na Glória. Eles foram abertos à graça de Cristo, eles disseram “sim” sem reservas à salvação trazida por Jesus; aceitando completamente Jesus como Salvador, eles não resistiram à ação do Espírito Santo, eles viveram seu Batismo até às últimas conseqüências! O «santo» é um pecador como nós, que lutou para levar Cristo a sério e,procurando ser fiel à graça de Cristo, viveu o Evangelho. Por isso mesmo é apresentado pela Igreja como exemplo para todos nós. É este, aliás, o sentido da canonização: a Igreja propõe um filho seu como modelo de vida cristã e de seguimento a Cristo. Se alguém é «santo», é por graça de Deus, que o santificou. O «santo» não é um super-homem que, se santificou com suas forças! Ele recebeu a santidade de Cristo, foi aberto à ação santificante do Espírito do Senhor Jesus. Dizer que alguém é santo significa dizer que foi santificado por Cristo! “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10). Assim sendo, quando a Igreja afirma que alguém está na Glória e o chama «santo» deseja mesmo é mostrar o quanto a graça salvadora de Cristo é eficaz, o quanto a força do Senhor Jesus, nosso único Salvador, é capaz de transformar a nossa miséria humana e nos elevar à santidade. É Cristo que é admirável nos seus santos. O santo é uma obra prima da graça de Deus que opera através de Cristo Jesus! Admirando a obra prima, exaltamos o seu Autor! Como a própria Liturgia da Igreja reza: “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo...” (Coleta da Missa do XVII Domingo Comum).

Fica claro, portanto, que a santidade dos que estão na Glória revela e enaltece a força e eficácia da santidade do Cristo Jesus e a ação santificadora do seu Espírito Santo, para a glória do Pai. O «santo» não é um concorrente da santidade de Deus, mas, ao contrário, é fruto dessa santidade divina.

Aí podemos entender o quanto é tola e errada aquela história: “a Igreja santificou fulano de tal”... A Igreja, coitada, não santifica ninguém: só Cristo santifica! A própria Igreja precisa da santidade de Cristo e é santificada pelo seu Espírito Santo! Na canonização, o que a Igreja faz é reconhecer, oficialmente, a santidade que a graça de Deus concedeu àquela pessoa! Só Deus é Santo e fonte da santidade; somente Deus é o autor de toda a santidade!

Atenção! Seria errado e herético considerar os santos como pequenos deuses, com uma força que viria deles mesmos, sem que tivessem recebido tudo de Cristo por pura graça do Senhor! A santidade deles brota única e totalmente de Cristo Jesus, doador do Espírito Santo! Os santos não são uns orixazinhos, não são duendizinhos, não são espíritos superiores, não são uma energia positiva; são irmãos nossos que, tendo sido fiéis ao seu Batismo, já estão na Glória, na comunhão do Deus de Amor e, nele, rezam por nós!

2. O culto aos Santos

A partir deste modo de compreender a santidade e os Santos é que se pode compreender corretamente o culto que a Igreja lhes presta.

O culto aos Santos é culto de louvor e gratidão a Deus, admirável nos seus Santos. Ao venerarmos um nosso irmão que foi santificado por Cristo, estamos reconhecendo a ação de Deus nele. Estamos também agradecendo a Deus por ter dado a graça àquele nosso irmão para que ele fosse aberto à ação do Espírito Santo. Lembremo-nos sempre: ao engrandecermos a obra de arte, louvamos e enaltecemos seu Autor! Quando a Igreja venera um seu filho que chegou à santidade, recorda-se sempre da frase de Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10). Quando os cristãos exaltam as obras dos Santos, não esquecem que eles agiram pela força de Cristo, que foi o Espírito Santo do Senhor ressuscitado quem os inspirou e moveu para o bem, já que “é Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). Cumpre-se, assim, a palavra do Senhor Jesus: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candelabro, e assim ela brilha para todos os que estão na casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16).

Assim, venerar um irmão que levou a sério o Cristo e seu Evangelho e que, para nós, é um exemplo de vida, é, sobretudo, reconhecer a potência maravilhosa da graça de Deus que, em Cristo, sustenta a fragilidade humana, dando-lhe a graça de viver testemunhar o Senhor Jesus.

Atenção! É errado pensar que o louvor aos Santos é dirigido a eles somente, como se eles fossem heróis pelas próprias forças. O louvor aos Santos é, em última instância, dirigido a Deus, autor e fonte da santidade dos Santos: é Ele que é admirável nos seus Santos! Um louvor que pare no Santo é errado!

E rezar a um Santo, pedir sua intercessão? Não seria ferir a mediação única de Cristo? Vejamos agora o sentido da intercessão dos Santos e como ela não fere, mas, antes, sublinha e proclama a única mediação de Cristo.

3. A intercessão dos Santos

A Escritura nos ensina que todos os batizados foram revestidos de Cristo e, tornando-se uma só coisa com ele, são membros do seu Corpo, que é a Igreja. Ser cristão é estar incorporado, enxertado no Senhor Jesus ressuscitado: “Todos vós, que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo... pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,27); “Vós sois o corpo de Cristo e sois seus membros, cada um por sua parte” (1Cor 12,27); “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo em Cristo” (Rm 12,27). A união nossa com Cristo é tão forte e real, tão concreta e verdadeira, que Paulo fala que o cristão é batizado (=mergulhado) em Cristo, no Cristo, dentro de Cristo: “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?... Porque se nos tornamos uma só coisa com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma só coisa com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,3-9). A vida dos bem-aventurados no céu - e também já aqui na terra a vida de cada batizado - é vida em Cristo: “A graça de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23). A ele estamos unidos como os ramos à videira, de tal modo que vivemos da sua mesma vida: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor... Permanecei em mim, como eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,1.4-5). O cristão é aquele que permanece em Cristo, que vive não mais por si mesmo, mas por Cristo. A seiva, a vida nova da qual vivem os cristãos é o próprio Espírito Santo do Senhor Jesus ressuscitado, recebido no batismo: “Aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só Espírito” (1Cor 6,17); “Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo... e todos bebemos de um só Espírito” (1Cor 12,13). De tal modo isto é verdadeiro, real, que Paulo exclamava: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20); “Para mim o viver é Cristo...” (Fl 1,23). Cristo está de tal modo presente no cristão e este é de tal modo enxertado em Cristo e nele incorporado, que fazia o Apóstolo afirmar: “A vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,2). E falar também do mistério de Deus que é “o Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1,27). Aparece assim claramente que os batizados - particularmente os que estão na Glória - são uma só coisa com Cristo, estão em Cristo, foram «con-formados» com Cristo, são membros de Cristo, que é Cabeça de todos. Não há, para aqueles que estão na Glória, outra vida que não a de Cristo e em Cristo!

Ora, o Espírito de Cristo ressuscitado em nós, fazendo-nos uma só coisa com o Senhor Jesus, suscita em nós os bons sentimentos e as boas obras: tudo de bom que pensamos e fazemos é suscitado pelo Espírito Santo em nós: “É Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). É exatamente porque cremos em Cristo, porque estamos unidos a ele e nele estamos enxertados e incorporados pelo Batismo, que podemos realizar as obras da fé, daquela fé que atua pela caridade (cf. Gl 5,6). Quando rezamos, não somos nós que rezamos: quem ora em nós, quem louva em nós e intercede em nós é o próprio Espírito do Cristo Jesus ressuscitado: “Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis e aquele que perscruta os corações sabe qual é o desejo do Espírito; pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos” (Rm 8,26-27). É por isso que, já aqui na terra, pedimos aos nossos irmãos que intercedam por nós. Dizemos uns aos outros: «Fulano, reze por mim!» O próprio Novo Testamento recomenda que rezemos uns pelos outros (cf. 2Cor 1,1; Ef 1,16; 6,19; Fl 1,4; Cl 4,12; 1Ts 1,2; 1Ts 5,25; 1Tm 2,1; Tg 5,16). Pedimos a oração de um irmão batizado porque sabemos que ele ora em Cristo, que esse irmão é uma só coisa com Cristo, já que é membro do seu Corpo e vive do Espírito do Senhor ressuscitado, de modo que já não é ele quem ora, mas é Cristo que ora nele como Mediador único entre nós e Deus.

Com nossos irmãos que estão na Glória acontece o mesmo. A morte não nos separa do amor de Cristo nem dos irmãos, não rompe a comunhão entre os que estão com o Senhor, no céu, e nós, peregrinos: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida... nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39). No Senhor todos vivem e permanecem unidos no amor. Se a morte interrompesse uma tal comunhão em Cristo isso significaria que ela - a morte - seria mais forte que o amor, que a vida e que a vitória do Senhor Jesus. Mas, não! Cristo é mais forte que a morte e o inferno: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” (1Cor 15,55). Desse modo, nossos irmãos que estão com Cristo (cf. Fl 1,23) na Glória, são plenamente membros do Corpo do Cristo, vivem do Espírito do Cristo ressuscitado e participam da única mediação de Cristo! É Cristo quem intercede neles, de modo que a intercessão dos Santos, amigos de Cristo, nada mais é que uma admirável manifestação do poder e da fecundidade da única mediação do Senhor Jesus. Ele é o único Mediador, que inclui na sua mediação única todos os que são uma só coisa com ele por serem membros do seu Corpo. A mediação do Senhor Jesus não é mesquinha: é única, mas não é exclusivista: ela inclui todos nós: não é exclusiva, mas inclusiva! Caso contrário, nem nós, que vivemos ainda neste mundo, poderíamos rezar uns pelos outros, já que isso é também uma forma de mediação.

Assim, é em Cristo, como seus membros, no seu Espírito, que os Santos intercedem ao Pai. A intercessão dos Santos nada mais é que uma manifestação da única intercessão do Senhor Jesus, que, sendo rico e potente, suscita em nós a capacidade de participar da sua única mediação. Os nossos irmãos na Glória são aquela nuvem de testemunhas de que fala a Epístola aos Hebreus: “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo o fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, com os olhos fixos nAquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus”(Hb 12,1-2). São eles que, a exemplo dos primeiros santos mártires, participando da mediação única do Senhor Jesus, e nessa única mediação, suplicam em nosso favor, como membros de Cristo: “Vi sob o Altar as vidas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado. E eles clamaram em alta voz: ‘Até quando, ó Senhor Santo e Verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?’” (Ap 6,10).

Certamente, como aquela que mais esteve unida a Cristo Senhor neste mundo e na glória, a Virgem Maria participa de um modo todo especial dessa única mediação de Cristo...

Fica claro que uma coisa é certíssima: a Igreja de Cristo, ao ensinar que os nossos irmãos do céu, os Santos, intercedem por nós, mostra o quanto a única mediação de Cristo é fecunda e eficaz... de tal modo fecunda e eficaz, que nela nos inclui e dela nos faz participantes! Não se trata, portanto, nem de concorrência, nem de competição e nem mesmo de uma mediação paralela à mediação única de Cristo. Também não se trata de uma escadinha de mediadores: os Santos seriam mediadores junto a Cristo e Cristo é o Mediador junto ao Pai. Não! Há um só Mediador! Todos os outros apenas participam da única mediação do Cristo Jesus, nossa Cabeça e nossa santificação. Se participamos desta mediação única é exatamente porque, pelo Batismo, recebemos a plenitude de Cristo: “Nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e reconciliar por ele todos os seres” (Cl 1,19). E da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça! (Jo 1,16).

Atenção! É errado pensar que os Santos intercedem por nós informando a Deus sobre nossas necessidades - como se Deus não as conhecesse! - ou convencendo Deus a mudar sua opinião. É errado e herético pensar que a Virgem Maria e os Santos intercedem por nós a Deus de modo independente de Cristo ou ao lado de Cristo! A Virgem e os Santos intercedem por nós em Cristo, como membros do seu Corpo e em união com a santíssima vontade do Senhor Jesus, nosso único Intercessor junto do Pai!

Para completar tudo quanto aqui foi dito, é muito útil transcrever trechos da declaração de um grupo de teólogos anglicanos, luteranos, reformados (todos protestantes!), ortodoxos e católicos reunidos em nome de suas igrejas na ilha de Malta, nos dias 8-15 de setembro de 1983:

1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (cf. Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo.

2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7,25).

3. O fato mesmo de que, no céu, à direita do Pai, Cristo roga por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram unidos em Cristo pelos laços da fraternidade. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27).

4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de informar Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se, sim, de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno.

5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função especial de ordem cristológica... Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Quaisquer que sejam nossas diferenças confessionais (=de religião), não há razão alguma que impeça de unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a liturgia celeste, e de modo especial com a Mãe de Deus.

Este documento é assinado por teólogos e pastores luteranos, anglicanos, reformados, bem como por teólogos ortodoxos e católicos!

Conclusão: no culto e oração dos Santos nada há que fira a unicidade da mediação, da santidade e da glória de Cristo! É ele, Autor da santidade, que é grande e admirável nos seus Santos!

Lucas 5,1-11

"Jesus disse a Simão: ‘Não tenhas medo! De hoje em diante serás pescador de homens’. Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus".
Pedro e seus sócios, Tiago e João, continuavam sendo pescadores profissionais, ainda que nem sempre com muito resultado. Jesus usou com eles uma linguagem que podiam entender: uma pesca extraordinária. Compreenderam que, seguindo as palavras de Jesus, não precisavam ter medo de deixar tudo para o seguir. Deixaram os fregueses, as barcas e as redes, e foram com ele.

ORAÇÃO

Senhor, chamais a todos, também a mim para pescar gente para vós. Se olho para mim, para meus compromissos e apegos, tenho medo de aceitar. Fazei comigo o que fizestes com aqueles três: seduzi meu coração, dai-me coragem, e podereis fazer de mim o que quiserdes. Se me ensinardes, saberei como anunciar vosso evangelho, como levar esperança e felicidade para muitos. Amém.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009


Pedro, força e fraqueza da Igreja


Artigos
Dom, 28 de Dezembro de 2008 15:02

Côn. Henrique Soares da Costa

Depois de São João do carneirinho, o São Pedro, Chaveiro do céu, no dia 29 passado. Ao menos, nas festas do povo, no imaginário popular, é assim. Na liturgia da Igreja, são celebrados juntos, com solenidade, São Pedro e São Paulo, ambos martirizados em Roma, sob o Imperador Nero. Os cristãos, desde os tempos do Novo Testamento, reconheceram em Pedro a Pedra sobre a qual o Cristo quis edificar a sua Igreja (cf. Mt 16,18), aquele que tem a missão de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32). Historicamente, é indiscutível que Pedro foi martirizado em Roma, pelo ano 67. Por isso mesmo, desde a Antiguidade, a Igreja de Roma, Igreja de Pedro, é considerada a primeira entre todas as dioceses do mundo e cabeça de todas as outras dioceses. Com o Bispo de Roma todos os outros bispos devem estar em comunhão. Esta sempre foi e será a convicção de fé da Igreja de Cristo. A este respeito, são abundantes os testemunhos dos primeiríssimos séculos cristãos.

Mas, gostaria de propor-lhe, meu paciente Leitor, uma interpretação da missão de Pedro e de seus sucessores, os Papas de Roma, baseada em Mt 16,13-26. Neste texto excepcional aparecem toda a grandeza e toda a fraqueza do ministério de Pedro e seus sucessores.

Jesus perguntara aos discípulos que opiniões corriam a seu respeito. Eram muitas. Todas incompletas, várias totalmente erradas. Como hoje. Há, “Jesuses” para todos os gostos: filósofo e sábio, revolucionário de esquerda e agitador social, guru esotérico e bobo alienado, judeu exótico e rabi impostor... Haja opiniões, ontem como hoje! E, então, Jesus volta-se para os discípulos – os Doze e os de todas as épocas: eu, você – e dispara, como uma flecha: “E vós, quem dizeis que eu sou?” É Pedro quem responde em nome de todos: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” A resposta é perfeita; é a essência mesma da fé da Igreja. E Jesus, então, revela: “Não foi tua inteligência; foi o Pai quem te revelou isso! E eu revelo quem tu és: Tu és Pedro (= Pedra) e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja. E dar-te-ei as chaves do Reino... para ligares e desligares...” Uma observação importante: a razão humana, entregue a si mesma, não poderá jamais penetrar na essência do mistério de Cristo: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o atrair” (Jo 6,44). A fé cristã não nasce de um consenso da sociedade, de um raciocínio filosófico ou de uma aprovação científica... nem deve se preocupar em ser aceita pelo mundo: só pela graça, no âmbito da fé, podemos experimentar quem é Jesus. Certamente a fé não contraria a razão, mas a ultrapassa de longe. Pedro e seus sucessores têm a missão de dizer, como primeiras testemunhas, o mistério de Cristo ao mundo e a toda Igreja. Por isso, a autoridade de ensinar e de ligar e desligar, dada por Cristo...

Mas, o texto de Mateus continua. Jesus é o Messias, mas um Messias humildade e sofredor, que deve ser entregue, sofrer, ser morto e ressuscitar. É assim que Jesus é o Messias. E isso Pedro não compreendeu: chamou Jesus à parte e disse: “Que isso não te aconteça, Senhor!” A resposta foi duríssima: “Vai para trás, Satanás! Vai para o lugar do discípulo!Tu me serves de pedra de tropeço, pois pensas como os homens e não como Deus!” Aqui está o drama de Pedro e dos papas: quando escutam o que o Pai revelou, são pedra da Igreja, sobre a qual as portas do Inferno nunca prevalecerão. Quando agem de acordo com a lógica humana, são pedra de tropeço, que atrapalham e fazem a Igreja sofrer. Não tem sido essa a história do papado: pedra da Igreja tantas vezes e pedra de tropeço outras tantas?

Toda vez que a lógica de Pedro for a do Cristo morto e ressuscitado, for a lógica da cruz, que é loucura para o mundo; toda vez que os critérios de Pedro forem os do Evangelho, ele será Pedra para a Igreja. Toda vez que Pedro deixar-se levar pela lógica de cada época histórica, buscando aplausos ou seguranças humanas, procurando prestígio segundo os critérios dos homens, ele será pedra de tropeço.

O Papa será sempre “Pedro” e Cristo não lhe retirará nunca esta missão, nem depois que ele negou o Senhor (cf. Jo 21,15-17); mas será sempre chamado a converter-se novamente, a rever seus critérios, a seguir o Messias que veio para servir e não para ser servido: “Pedro, eu orei por ti, para que a tua fé não desfaleça. Tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos!” (Lc 22,32ss).

Quanto menos o mundo compreender o Evangelho, menos compreenderá o papel e a palavra de Pedro. Hoje, chamam o Sucessor de Pedro de obscurantista, porque diz não à experiência com células-tronco de embriões humano; chamam-no homófobo, porque, mesmo defendendo o respeito pelos homossexuais, afirma que jamais a Igreja poderá dizer que uma união entre pessoas do mesmo sexo é de acordo com o Evangelho. Não adianta: confessar Jesus como Senhor e Messias crucificado, critério do mundo e da vida, haverá sempre de custar a Pedro. Mas, é este o seu serviço, seu ministério em nome de toda a Igreja.

Para os católicos, Pedro será sempre um marco, um referencial, um porto seguro. Será também uma maravilhosa parábola da grandeza e da fraqueza humana. Ele é Pedra pela graça de Cristo e pedra de tropeço quando entregue às suas próprias forças. Mas, pensemos bem: no fim das contas, todos nós somos um pouco Pedro: fortes pela graça e tão fracos por nós mesmos...

Lucas 4,38-44

"Ao raiar do dia, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo de as deixar".
Jesus tinha curado a sogra de Pedro e muitos doentes em Cafarnaum. Na manhã seguinte o povo o procurou, pedindo que ficasse na cidade, por causa das curas, mas também porque admiravam seus ensinamentos. Jesus não aceitou o convite, porque devia anunciar a salvação também em outros lugares. Não podemos querer ficar com Cristo, o evangelho e a felicidade só para nós.

ORAÇÃO

Senhor, minha vida é diferente, muito mais feliz porque vos conheço. Não permitais que eu seja egoísta, pensando só em mim e nos meus. Eu preciso ajudar outros a vos conhecer; essa é a missão que me confiais. Daime a coragem de deixar tudo e de fazer tudo quanto for necessário para ajudar meus irmãos que não vos conhecem. Quero que todos sejam tão felizes como eu. Amém.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Lucas 4,31-37

"Jesus desceu a Cafarnaum, e aí ensinava aos sábados. As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade".
Os ouvintes percebiam que Jesus era diferente dos outros pregadores. Viam suas atitudes, seu jeito de falar e tratar as pessoas, sua tranquilidade, o que dizia sobre Deus e como ensinava a viver. E quando o ouviam, alguma coisa acontecia em seu próprio coração. Ele não apenas falava, mas tinha o poder de os transformar interiormente, ele os conquistava e dava-lhes uma nova vida.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, como devia ser bom ouvir vossas palavras e ver o vosso rosto. Hoje eu vos peço que, mesmo sem vos ver nem ouvir exteriormente, eu vos possa ver e ouvir em meu coração. Tomai conta de minha vida, afastai de mim toda maldade, fazei que eu vos tenha sempre diante de mim para saber como devo ser e o que devo fazer para ser feliz e ser uma bênção para todos. Amém.